POEMA PARA SER QUEIMADO
Projeto inaugural: 1968,
in Correio da Manhã (Rio)
Versão: 2004- 2013
Ao som de músicas palestinas,
na manhã de abril,
queimemos uma, duas, três, mil
bandeiras norte-americanas.
No fogaréu das bandeiras em chamas,
joguemos uma, duas, três, mil fotos
do maior criminoso da atualidade,
um tal de W.C. Bushit,
escrotojento entre escrotojentos,
feladaputoso entre feladaputosos,
símbolo maior
do verdadeiro Império do Mal:
os Estados Unidos da América da Morte,
América sem Norte.
O poema em chamas,
com fotos, bandeiras e o diabo,
será consumido
lenta lenta lentamente,
apesar do ótimo Mel
representado por alguns dos seus
escritores
escultores
pintores
cineastas
arquitetos
poetas
jazzeiros
bluseiros
quadrinheiros
- que não serão atingidos
pelo fogo da indign
ação
mundial.
Nem pela fúria
dos cabas da pestes
de Caicó Sertão Seridó.
Junto com os cabrones
Curraisnovenses
do barreiro das almas.
Queimando tudo até
a última folha.
Moacy Cirne (poemas inaugurais)
Adaptado por Alberione Medeiros